quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O que é Visão R.E.A.L?

Reforma na América Latina

É um programa destinado a ajudar os pastores preparar seus líderes para gestão do ministério e promover uma Reforma em nossos dias.

A estratégia de desenvolvimento é baseada no conceito bíblico de orientação mais a parte acadêmica. A Bíblia é, fundamentalmente, a preparação relacional, sendo responsável por um tutor local. A parte acadêmica é importante, mas é secundária.
Isso difere do conceito ocidental de uma série de "cursos" como meio de preparação. (Veja "O Pacto da Mentoria" para maiores explicações.)
Assim, a visão real estabelece plataformas na América Latina para difundir a Reforma.

PERGUNTAS E RESPOSTAS


Onde está o escritório geral de Visão REAL?
Qual é a sua orientação teológica?
Confere diplomas?
Quem leciona as aulas?
Oferece cursos a distância?
Qual o conteúdo dos manuais do professor?
Quem é qualificado para ser um inspetor de professor?
Quais são os cursos de "visão real"?


Onde está o escritório geral de Visão REAL?

Visão REAL é o ramo brasileiro de Ministérios em Ação (MIA), com sede em Miami, que se dedica há mais de 38 anos em estratégia de crescimento de igreja e desenvolvimento de liderança.
MIA está expandindo sua visão para incluir o mundo hispânico e o Brasil, tendo sido convidado os Smallings para liderar este setor.
Desta forma, "a visão real" oferece plataformas na América Latina para difundir a Reforma.

Qual é a sua orientação teológica?

Somos incondicionalmente reformados e calvinistas em nossa teologia, ligado à Confissão de Fé de Westminster. Todos os professores devem professar um visão verdadeira e essencial da CFW. Quando se fala em temas teológicos, estes são discutidos sob uma perspectiva reformada.

No entanto, muitos dos nossos alunos não vêm de famílias reformadas. Nós tentamos ser sensíveis à "distintivos denominacionais dos alunos, sem comprometer nossos padrões. Fazer isso requer uma caminhada numa fronteira tênue com tato e diplomacia.

Confere diplomas?

Visão REAL não é uma instituição educacional, mas uma filosofia de treinamento de liderança, portanto, não confere graus ou diplomas. No entanto, nós estabelecemos acordos sobre o reconhecimento de estudos, com duas instituições reconhecidas pelo Estado da Flórida, EUA

A. Seminário Internacional de Miami (MINTS sigla em Inglês). Este seminário reconhece estudos em torno do programa uma visão REAL e acredita para os dois primeiros anos da Licenciatura de MINTS. Isso é equivalente a um nível de certificação.

B FLET / LOGOI Esta instituição faz transferência de créditos aos alunos que utilizar os seus materiais. Usamos cinco cursos de FLET. Estes são: Como pregar (Homelética) Interpretação da Bíblia (Hermenêutica), como ensinar (Educação) e História da Reforma.

FLET exige o pagamento dos cursos, além de uma carta de Visão REAL, certificando que o trabalho necessário no manual foi concluido pelo candidato, bem como a sua classificação final. O custo é determinado no momento da aplicação,e isso pode variar.

Quem leciona as aulas?


Os nacionais, usando os manuais que são baixados de nosso site. Existem dois tipos de manuais: Para professores e alunos. Alguns cursos não têm manuais, mas somente um livro.

Os centros de Visão REAL inscritos têm direito a visitas de professores, quando for possível. Isso pode ser feito de forma intensiva, um ou dois dias de instrução. Desta forma, o professor se torna um mentor dos líderes nacionais para aprender a ensinar o seu próprio povo.

Oferece cursos a distância?

Não. Visão REAL não ensina por correspondência. organizações de prestígio, tais como FLET / LOGOI, fazem um excelente trabalho no ministério por correspondência. Todos os nossos cursos são PRESENCIAIS, quer seja com uma visita de um professor visitante ou professor nacional usando o manual do professor.

Qual o conteúdo dos manuais?


Os cursos geralmente contêm dois tipos de manuais que são baixados da nossa página de literatura.
manuais do professor contendo planos de aula, exercícios em grupo, questionários, páginas de brincar com títulos e instruções para o professor. O professor, assim evitando de tedioso pode levar o aluno a se concentrar mais no conteúdo. Ao mesmo tempo, ele aprende com este exemplo para organizar os seus próprios manuais.
Os manuais do estudante contém 8 aulas de leitura com exercícios. Às vezes, há também um livro didático que o aluno deve obter.

Quem é qualificado para ser um supervisor dos núcleos de visão real?


Nós preferimos que os supervisores dos núcleos de Visão REAL sejam diplomados em alguma coisa. Isso não é absolutamente essencial, especialmente nos casos em que o próprio pastor está aptos para tal tarefa.
Os supervisores devem também ser trinitarianos evangélicos, de acordo com os ensinamentos básicos do movimento evangélico, tais como: A Santíssima Trindade, a Divindade de Cristo, salvação pela fé somente, a existência de céu e inferno, a infalibilidade das Escrituras.

Quanto custa os cursos de Visão REAL ?

Não se cobrar pelo uso dos nossos cursos. No entanto, para estabelecimentos cadastrados conosco, que exigem que os alunos recebem uma taxa de inscrição para os estudantes valorizar a educação. Esse dinheiro fica com a igreja que hospeda o programa.
É costume, de alguns centros, dar uma oferta para os professores que visitam, embora ninguém exija isto.
Para mais informações Contacte-nos

Reforma na América Latina!



Por que não na América Latina? Por que não em nossos dias?


Como vamos fazer isso?

Como os reformadores fizeram!

... Através de centros de treinamento locais.
... Através da literatura Reformada com impacto.

Faça sua parte...

Ponha-se em contato com líderes desejosos de estabelecer programas de liderança.

Distribua nossa literatura e informe-se sobre o nosso site na internet

O Pacto de Mentoria

O Coração do Mentor

Excelentes notícias! A preparação de líderes é simples.
Mas Atenção! Não disse que seja fácil. Os seres humanos são complexos,
cada um com sua personalidade e pecados.
No Capítulo Um, já descubrimos que existe uma só filosofia cristã de
liderança...A liderança do servo, que está disposto a sofrer pelos seus
seguidores e serví-los com a dignidade conforme o homem como imagem de
Deus.
Assim como existe uma só filosofia bíblica de liderança cristã, também há
somente uma perspectiva bíblica de preparação de líderes: o trabalho de
mentores.
_________________________________________
Existe uma só filosofia bíblica de
preparação de líderes:
o trabalho de mentores.
_______________________________________
Em que consiste o trabalho de mentores?
Este trabalho é um processo que envolve uma relação entre o líder e o
seguidor que se prepara para a liderança. Esta obra incorpora conceitos
abstractos que sempre giram em redor das relações
Ainda que o termo mentor não aparece nas Escrituras, mas descrevem suas
funções através de toda a Bíblia. Podemos observar este processo entre
Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Cristo e seus discípulos, Paulo com Timóteo e
com seus candidatos a presbíteros.
O primeiro princípio de mentores é...
O trabalho de mentores é relacional.
Um processo holístico
Este trabalho é relacional e holístico, pois abarca todas as esferas humanas…
corpo, alma e mente. As disciplinas acadêmicas são importantes, mas não
prioritárias. As relações antecedem o acadêmico, em ordem específica:
primeiro com Deus, depois com os homens.
Cristo, por exemplo, mostrou-se mais interessado no que diz respeito à
relação dos discípulos com Ele como seu Senhor, que com o ministério ou a
compreensão da lei de Moisés. Se não existe esta relação, já estaríamos
rompendo a Lei, de todos os modos, mesmo que a cumpramos ao pé da
letra, porque fomos contra o espírito da mesma Lei.
__________________________________________
A preparação bíblica para liderança
é holística.
_____________________
Esta é a razão pela qual, no programa de preparação da Visión R.E.A.L., a
vida devocional ocupa o primeiro lugar. É nossa relação com Deus. O curso
de liderança ocupa um segundo posto. É nossa relação com os demais.
Este tipo de aproximação a vemos nas exortações de Paulo ao jovem pastor
Timóteo. Paulo considerava que todos os aspectos da vida de Timóteo
davam suporte à sua liderança, portanto, Paulo levava em conta todas as
áreas da vida de Timóteo.
Paulo inclusive se refiriu à saúde de Timóteo, dando-lhe alguns conselhos a
respeito.
Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é
proveitosa,…
-I Tim. 4:8
Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa
do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades.
-I Tim. 5:23
A preparação de Paulo dada a Timóteo não reflete em nada a delimitação do
pensamento que sobressai em nossa atual cultura ocidental. Hoje em dia,
alguns poderiam considerar isto como uma intrusão. Paulo, ao contrário, via
como natural o dar conselho a Timóteo nestas áreas privadas da sua vida. A
razão para proceder assim, se encontra no amor e cuidado para com
Timóteo.
O segundo princípio de mentores é...
O trabalho dos mentores é holístico.
O Intelecto não importa?
O trabalho de mentores substitui à preparação acadêmica? De maneira
nenhuma!
No diagrama um, os círculos são de diferentes diámetros, de propósito. O
trabalho de mentores é o primeiro e o mais importante. O acadêmico é
valioso, porém secundário.
Por que é secundário? Porque se a uma pessoa que tem sido discipulada lhe
faltam conhecimentos, se sentirá motivada a adquirí-los, inclusive de forma
autodidata por meio de livros. Deus o usará, a pesar da falta de
conhecimento.
Por outro lado, o que dizer de uma pessoa com uma dúzia de títulos, mas
pobremente discipulada? Se não tem vida devocional ou sua família está
desorganizada ou mantém desacordos com seus colegas? Todo seu
conhecimento não supre essas deficiências.
Os vários mentores da Bíblia escreveram obras extensas para serem
estudadas e aprendidas no decorrer de sucessivas generações. Moisés, Paulo
e Tiago não eram anti-intelectual de modo algum. Eram pessoas brilhantes
que valorizavam o conhecimento.
_____________________________
O acadêmico é essencial
mas não o principal.
________________________________
Temos que evitar as influências que não valorizam o intelecto. Tais tedem a
diminuir a imagem de Deus apesar de sublinhar outros aspectos da vida
cristã. O acadêmico não é prioritário, mas sim indispensável.
O princípio número três é...
O trabalho do mentor é inseparável do acadêmico.
A caixa de ferramentas de um mentor
Quando nos referimos às relações na obra de mentores, estamos falando de
duas áreas específicas na seguinte ordem: relações com os colegas, como o
vimos no Capítulo Dezoito, e relações com as pessoas que ministramos.
O Que um mentor deve fazer exatamente? Que métodos empregará?
Modelar e Ensinar
Modelar: -Observe como o faço. Depois, faça o mesmo também.
Ensinar: -Deixe-me explicar por que faço a obra desta maneira e não de
outra. A razão das coisas não terem saido bem para você é...etc.
Como levar da teoria à prática? Muitas teorias propõem certas respostas. A
resposta que a Bíblia dá é, “um mentor”.
O preparador de líderes por excelência é Cristo. Ele deu o modelo de como
expulsar demônios e curar os enfermos. Logo, mandou seus discípulos que
fizessem, e funcionou.
Houve um dia em que não puderam expulsar um demônio (Marcos 9:28-29).
Então, Jesus lhes revelou que esse gênero de demônio requeria outra tática,
a da oração.
Vemos aí um excelente cenário didático. Primeiramente, Jesus ensina o
procedimento básico. Logo, permite uma exceção e além disso, modela
como manejá-la.
Por que é eficaz o modelar? Porque se aprende melhor ao passo que
usamos mais os sentidos. Se escutamos algo, utilizamos somente a audição.
Se escutamos e vemos escrito, estamos utilizando a audição e a visão. Se
escutamos, vemos, apalpamos e falamos a respeito de algo, a retenção se
multiplica exponencialmente.
Um exemplo disto é a impressão tangível que Cristo fez sobre João, como
expressa I João 1:1:
O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os
nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam,
com respeito ao Verbo da vida.
Elias e Eliseu tinham um estilo de ministério tão similar, que me confundo
entre um e outro. Se tratará isto de uma coincidência? O duvido.
Elias era o mentor e Eliseu o estudante atento. Como sabemos que era
atento? Porque quando Elias foi tomado e levado ao céu, Eliseu começou a
atuar exatamente como Elias, com o mesmo tom de autoridade.
Ter um bom mentor constituiu-se uma grande vantagem para Eliseu, que
logo desenvolveu seu próprio estilo.
_______________________
Modelar e ensinar
são as ferramentas
do mentor.
_____________________
Uma conversa entre o professor e seus alunos
Três seminaristas e o professor discutem o conceito de mentor. Jaime, além
de professor é um respeitado e bem sucedido pastor. Guilherme, estuda
para ser pastor e ao mesmo tempo trabalha como contador. José, está
cursando seu último semestre e é pastor de jovens numa igreja local, é um
tipo atlético e sério. Susi, está no seu segundo ano e é uma moça muito
ativa e agradável. Os quatro se encontram na sala de conferências com o
professor Jaime, após a aula:
-Ei! Isto é como tratar de pegar fumaça-, disse José, inclinando-se para
frente.
-Não gosto das ambigüidades e toda esta idéia das relações me soa muito
ambíguo. Se esta questão sobre os mentores não se aclaresse logo, creio
que vou embora. O filosófico me dá tédio.
Jaime começa a dar uma explicação, quando Guilherme irrompe. –Nem
tanto José. Creio que já capto um pouco o que Jaime quer ensinar. A idéia
das relações é difusa até quando não nos envolve. A medida que uma
relação avança, deixa pouco a pouco de ser uma idéia, e se torna uma
realidade.
Guilherme faz uma curta pausa e continua. -De fato, quanto mais longa e
profunda é uma relação, mais concreta se torna.
- A mim parece que não existe um sistema rápido para formar líderes -,
disse Susi.
José sorri e acrescenta, -E a mim, parece que você já está chegando ao
ponto da questão, Susi.
-Ok, Jaime, parece que já entendo um pouco-, disse José. -Mas, tenho uma
pergunta. Você nos havia dito que era fácil, mas estabelecer relações não é
fácil, como ajusta isto com o que nos havia dito de que o processo de
mentores é algo basicamente fácil?
-José, eu não disse que era fácil. Disse que era simples. Quero dizer simples
em sua idéia básica. O processo em si não é fácil em absoluto, porque as
pessoas são complexas com todo tipo de problemas.
-Não há atalhos? - pergunta Susi.
-Oh, sim! Há um. O que muitos empregam na preparação de líderes. É fácil,
mais rápido e não representa perigo algum para o ego de ninguém. Mandem
as pessoas fazerem uma série de cursos. “Como se mencionou antes. -Ou
algo ainda melhor! -disse Susi com sarcasmo. -Que recebam cursos por
correspondência!
José comenta, seguindo o mesmo tom: -Assim ganham seus créditos e seus
títulos sem ter que interagir com ninguém. Têm provas de suas preparações
para a liderança, põem molduras e penduram na parede.
Guilherme murmura algo não muito baixinho que todos escutam, -Ah!, José
já está captando. Os cursos, créditos e diplomas não são atalhos. São
formas que permitem a ambas partes, o líder e o estudante, evitarem o
processo de relacionar-se, porque toma tanto tempo e é uma ameaça aos
egos. Este tipo de preparação pode ser bom, mas deixa algo fora.
-Sim! - exclama Susi, -O que deixa fora é o Cristianismo!
Todos riem, Jaime põe as mãos sobre a mesa, para chamar a atenção do
grupo. -Talvez tenham exagerado um pouco, mas é quase assim. Ficam fora
a alma e o coração do Cristianismo… as relações! E como fica um corpo sem
alma e sem coração?
Todos, a uma voz, respondem, -MORTO!-
Outra vez, se escuta risadas.
O CONCEITO OCIDENTAL
No comentário final do grupo se expõe um defeito fundamental de
programas de preparação de líderes vigentes: Domina o acadêmico.
Nos catálogos dos seminários, os programas de preparação de líderes são
descritos como uma série de ‘cursos.’ Os programas de correspondência se
baseiam também na premissa de -Façam estes cursos e estarão preparados
para a liderança cristã!
Como se desenvolve este procedimento? A resposta aponta para uma
diferença entre dois tipos de cosmovisão.
As culturas ocidentais tendem a ser dualistas, percebendo a realidade como
duas esferas distintas, espiritual versus material. O pensamento oriental é
mais holístico, vendo a realidade como uma unidade, espiritual e material
mesclados inseparavelmente.
Por este motivo, o Panteísmo permeia nas religiões orientais como o
Budismo e o Hinduísmo (O Panteísmo sustém que “tudo é deus”. Para eles,
isto não significa que Deus está em toda parte. Os panteístas assumem que
uma árvore, um animal ou um ser humano, são literalmente partes de
“deus”).
Os filmes de artes marciais refletem o pensamento holístico oriental. Nestes
filmes, freqüentemente, mostram um forte laço entre o heroi e o mentor que
o treina em tais artes.
Em termos simples, um oriental afirma que o universo é um só. Um
ocidental o ver como dois ou mais coisas. Além do mais, o pensamento
ocidental é humanista e enfoca-se na glória do ser humano.
Este dualismo e humanismo originaram-se na Grécia Antiga. Alexandre
Magno conquistou o Mundo Antigo juntamente com o humanismo grego.
A filosofia grega assume que o conhecimento produz sabedoria e virtude. Os
Estóicos supunham que o estudo da natureza lhes permitiria penetrar no
significado do universo e na força que o sustenta. Isso não resultou; foi um
fracasso.
A Bíblia sustenta que a sabedoria é essencialmente relacional… primeiro com
Deus e logo com os demais. Adquirir conhecimentos é parte da sabedoria,
mas não seu princípio. O intelecto é importante, porém não é o essencial.
O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do
Santo é prudência.
-Provérbios 9:10
Por volta do Século V, o Cristianismo domina o mundo ocidental. Ao início da
Idade Média, os acadêmicos se enamoraram da cultura grega pré-cristã. Se
referiam à época grega, antes das conquistas romanas, como a Idade
Dourada. As filosofias gregas lhes pareciam tão profundas e verdadeiras.
Que aconteceria se se pudesse fazer uma fusão da cultura grega e o
Cristianismo? Não seriam assim melhores cristãos? Se asseguraria o
nascimento duma nova idade dourada. O que os acadêmicos de então não
consideraram, era as raízes humanistas e sua ênfase no intelecto humano.
Os acadêmicos medievais inventaram o sistema universitário. Os requisitos
para todos os estudantes de universidades eram: Teologia, acompanhada
dos clássicos gregos e latinos. Para graduar-se advogado ou doutor, faziam
‘cursos’ que incluiam estas matérias.
O que acontecia se um estudante quisesse se dedicar à obra de Deus? Assim
mesmo, faziam “cursos” e se graduava como líder cristão. Teve sucesso tal
sistema em produzir alguma nova idade de ouro? De forma nenhuma!
As escolas bíblicas e seminários atuais freqüentemente realizam um trabalho
reconhecido na preparação acadêmica de líderes. No entanto, estas
instituições são um reflexo do sistema universitário num esquema religioso
com premissas filosóficas similares às da universidade. Sem dar-se conta,
repetem o erro filosófico acima mencionado, ao reverter as prioridades entre
o relacional e o acadêmico.
Em suma: A Bíblia é um livro oriental. Sua mensagem é holística, sem
distinção entre o secular e o religioso, ou entre o espiritual e o material. Um
sistema bíblico de preparação de líderes deve refletir esta cosmovisão
holística.
TRADIÇÃO BIBLICA vs. TRADIÇÃO OCIDENTAL
Na Filosofia de Preparação de Líderes
BÍBLICA TRADIÇÃO OCIDENTAL
Relacional Acadêmica
Relacção pessoal com um mentor A relação com os professores não é
essencial. Alguns professores
inclusive não a recomendam, para
manter “objetividade”.
A sabedoria se adquire através
de uma relação com Deus e os
demais
A sabedoria se adquire por meio do
conhecimento, especialmente de
Filosofia.
Método de ensino: Modelar.
(Siga meu exemplo. Assim faço por
estas razões)
Método de ensino: Uma série de
cursos com professores.
(Esta é a teoria. Agora vá e a ponha
em prática por sua conta)
Se aprende fazendo. Se aprende ouvindo.
A teoria e a prática se
aprendem simultaneamente, através
do ministério.
A teoria precede à prática.
O acadêmico é importante, porém
secundário.
O acadêmico é o essencial.
Neste capítulo aprendemos:
1. A preparação de líderes é principalmente relacional, por meio do trabalho
de mentores.
2. O trabalho de mentores é um processo de discipulado, que envolve a
existência de uma relação entre o mentor e o estudante.
3. O trabalho do mentor é holístico, abrange a pessoa na sua totalidade.
4. O tranalho do mentor é inseparável do acadêmico.
5. Os meios deste trabalho são o modelo e a instrução.
a. O mentor mostra com exemplos como fazer o ministério
b. O mentor explica por que realiza as coisas de certa maneira.
6. O conceito ocidental de preparação enfoca primordialmente no
acadêmico.
7. A tradição ocidental coloca a teoria antes da prática, diferente do
procedimento bíblico, onde ambas vão simultaneamentes, por meio do
trabalho do mentor.
8. Algumas instituições afirmam estar preparando líderes, quando mais
correto seria dizer que dão preparação acadêmica.
Perguntas de Estudo do Capítulo Dezenove
1. Descreva a filosofia bíblica do trabalho do mentor na preparação de
líderes.
2. Quais são as duas ferramentas para o trabalho do mentor e como se
vinculam?
3. Quais são os três princípios do trabalho de um mentor, descritos neste
capítulo?
4. Quais são algumas das diferenças fundamentais entre as premissas dum
sistema bíblico de preparação de líderes e a tradição ocidental?
CAPÍTULO VINTE: Quem É Competente para Ser Mentor?
Seu chamado para a liderança inclui um chamado para ser mentor. Por que?
Porque ambos vêm num só pacote.
Lembre-se que o produto principal de um líder cristão é a criação de novos
líderes. Esta é a parte prioritária de sua descrição de trabalho. Em II
Timóteo 2:2, diz assim:
E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso
mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.
Isto é, se você recebe o chamado para assumir um cargo de liderança
bíblica, como Pastor ou Presbítero, também é chamado para ser mentor.
Você se sente competente? Possivelmente não. Não seria agradável sentirse
competente? Não. O seria arrogância. Nem sequer o apóstolo Paulo se
sentiu competente.
não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa,
como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,
o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança,…
-II Corintios 3: 5-6
Como um equilibrista com sua vara, devemos agarrar-nos destas duas
realidades: - Nunca serei competente para função alguma no reino de Deus.
– Pela graça divina, posso fazer tudo.
O assunto é o chamado, não a competência.
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.
-I Cor. 15: 10
_________________________
Só a graça
nos faz competentes
para sermos mentores.
____________________________________
Voltemos à conversa entre os alunos e o professor Jaime, e observemos
como os estudantes lutam com esta questão da competência:
- Professor Jaime, tenho que confessar-lhe algo, -disse Guilherme- a idéia de
ir e dizer a alguém que desejo ser exemplo a ser seguido na vida cristã…
Jorge interrompe, –Soa a orgulho, Jaime. É como se eu fosse um todosuficiente.
Recém ingressado no ministério já vou poder ser o modelo de
alguém? Ah!, sim, claro!
- Na realidade, a palavra orgulho passou pela minha mente também,
afirmou Guilherme. Mas não queria dizer de cara.
Susi interveio, -Porque você, ao contrário disto, tem bons modos.
Jorge, movendo a cabeça, lhe diz: - Susi, fala sério!
- Ei!, escutem o professor – contra ataca Susi -, certamente a estória ainda
não se acabou.
Guilherme intervém:
- Explico-lhes por que disse isso. Estou ministrando uma aula de
Apologética a um grupo de leigos, na verdade é que, sem ser tão bom em
Apologética, tocou-me ser o professor. Apenas estou adiantado um capítulo
dos alunos. Orem para que não descubram que sou uma fraude!
Jaime (pondo-se em pé) diz: - Não é uma fraude, Guilherme. Também
nenhum de nós o é. De fato, se vocês pensam diferente, para mim seria
decepcionante.
- Mas você já leva tempo no ministério, objetou Susi, algo assim como uns
30 anos?
- Trinta e oito para ser exato. Mas quero dizer-lhes um secredo. Continuo
sendo incompetente. Jaime fez uma pausa.
- Não tão incompetente como há trinta e oito anos. Mas morrerei
incompetente. Olhem outra vez o versículo. Paulo declara ser incompetente
também. E eu não sou o apóstolo Paulo! Jaime lê II Coríntios 3:4-5,
E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus;não que, por
nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de
nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,
O professor continua dizendo: - O sentido de competência de Paulo vem de
sua relação com o Espírito, não por sua inteligência, experiência, ou nada
disso. Seu caminhar pessoal com Cristo, conjungido com o conhecimento do
que Deus o chamou a fazer, era o terreno em que pisava. Paulo declarou sua
dependência de Deus quanto a sua aptidão, e assim foi como Deus usou
sua inteligência e experiência como meios para seu trabalho de mentor.
Susi se inclinou na cadeira – De regra, esse é um dos paradoxos do reino.
Devemos reconhecer nossa incapacidade, para podermos ser competentes.
-Como devemos admitir nossa dependência do Senhor para podermos fazer
bem nossa tarefa de mentores-, acrescentou Guilherme. Deve existir um
nome para tudo isto.
-Sim- disse Jaime. -Se chama fé. Lembram-se do que disse ao iniciar o
curso sobre a graça divina no ministério?
Jorge respondeu – Algo como: Não existe nenhum trabalho no reino de
Deus, para o qual a pessoa é competente. Todos funcionam pela sua graça.
-Então, disse Susi fazendo uma pausa –Deus diz: ‘você é incompetente.
Agora, vá e faça-o.’
-Exatamente- disse Jaime- Agora vocês, jovens, vão e façam-no.
Uma rara situação na América do Sul
Ainda sintindo-se inadequado? Espero que sim. É difícil superar uma
experiência que tive num pequeno país sul-americano, com uma
denominação em crescimento e com cerca de quarenta igrejas.
Os líderes descobriram certa literatura acerca da teologia e governo
Reformados e ficaram maravilhados. Pediram-me que guiasse toda a
denominação nestas duas áreas.
Fiquei impactado pelo fato de que eu fosse o primeiro e único modelo do que
um ministro reformado deve ser. Estaria Deus brincando comigo? Quase
cheguei a pedir a Deus que mandasse outra pessoa. Logo, recordei que
Moisés se meteu em problemas por pedir algo semelhante.
Mas como haveria eu de ocultar minha faltas, com o fim de que os nacionais
não caíssem nas mesmas? No passado, a única pessoa que cria que eu era
bom para encobrir minhas faltas, era eu mesmo.
Entretanto, já ensinei em dita denominação, em três cidades, e continuo
sendo o único modelo que eles conhecem. E, apesar de tudo isto, continuam
crescendo. Não sei se o Senhor cubriu minhas falhas ou outorgou tanta
graça aos nacionais para que as ignorem. De qualquer maneira, Ele me usou
e eles estão avançando.
Nossos defeitos são necessários
Graças a Deus pelos defeitos dos personagens bíblicos. Sem eles,
careceríamos de um conceito global da realidade do ministério. Deus tem
sua caixa de ferramentas para aperfeiçoar seus filhos. Umas destas
ferramentas são nossas próprias faltas.
O Senhor não leva em conta nossa própria bondade para conseguir algo. O
que deseja é nossa disposição para fazer sua vontade.
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Deus usa até os nossos
defeitos pessoais
no processo de preparar líderes.
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Uma conversa entre o professor Jaime e Jorge o Pastor de jovens, sublinha
este ponto:
-Então, Deus passa de largo nossos defeitos no trabalho de mentores e nos
usa de todos modos, correto?- pergunta Jorge.
-Mais que passar de largo, Jorge. Usa nossos defeitos como ferramentas no
processo.
Jorge coça o pecoço pensativamente. – Esse é o maior paradoxo que pode
haver. Fico todo arrepiado.
-Mas, é algo muito libertador quando pensa e analisa, Jorge. Antes, eu
pensava que devia ser excelente pessoa para poder ser mentor.
-Se Deus utiliza nossos defeitos como parte do programa, então…- Jorge
disse vacilante. – Então, somos livres de ser como realmente somos, mais
autênticos.
Jaime sorri – Agora deixa-me fazer uma pergunta. Que tipo de mentor que
Deus vai querer usar… um autêntico ou um não autêntico?
Jorge está atônito e segura a cabeça. -Puxa! Isso sim que doi! Parece que
está tratando de dizer-nos que Deus quer que sejamos autênticos e que o
deixemos usar nossos defeitos no desempenho da obra.
- Vou lhe dizer um secredo- disse Jaime com confiança – Levei muito tempo
para deixar de ter medo de minhas faltas, enquanto fazia meu trabalho de
mentor.
- Mas tudo isto implica em boas notícias!
- Na realidade, são as boas novas do Evangelho mesmo.
Recebi a unção para isto?
Assuma que tem a unção e proceda de acordo com isso. Por que razão Deus
nos chamaria para o ministério sem ter equipado-nos para a obra? A Bíblia
nos diz:
Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós,…
-1João 2:27
porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.
-Romanos 11:29
TENHO A PERSONALIDADE ADEQUADA PARA PREPARAR
LÍDERES?
Um amigo meu desejava entrar para o serviço de certa Missão. Como parte
do processo de aplicação, teve que render provas psicológicas extensas, e
mais uma entrevista com um psicólogo.
Durante a entrevista, o psicólogo lhe disse: - Lamento comunicar-lhe que
suas provas psicológicas mostram que você não está apto para o serviço
missionário. Não posso dar-lhe minha recomendação para o Conselho da
Missão.
______________________________________
Deus sabe usar qualquer tipo de
personalidades para ser mentores
_______________________________________________________________
O que esse psicólogo não sabia era que meu amigo já havia servido no
campo missionário por 25 anos, havendo coordenado a fundação de várias
igrejas e servido como líder de campo e equipe em dois países, onde
ademais preparou a muitos para o ministério.
No dia seguinte, quando este amigo se apresentou ao Conselho da Missão, o
moderador lhe disse:
-Você sabe que o psicólogo não lhe recomenda. Mas, temos aprendido a
tomar esta recomendação muito às pressas. Examinamos mais a experiência
e os resultados. Bem-vindo à família.
Por décadas, as corporações aceitaram as teorias psicológicas mais
modernas de gerência. Antes de outorgar qualquer posição de liderança, o
perfil psicológico continua sendo obrigatório em muitas companhias grandes.
A noção de perfis psicológicos também tem influenciado as organizações
cristãs. Esta moda é só isso, uma moda.
As últimas investigações de gestão de negócios mostram que não existe
relação entre os tipos de personalidades e o êxito na liderança.51 Certas
virtudes-chaves fazem que as diferenças entre personalidades sejam
irrelevantes.
A integridade, a coragem para enfrentar riscos e a dedicação total a uma
visão, fazem que as avaliações de personalidades sejam secundárias.
Qualquer personalidade dada, seja extrovertida, ou forte e firme, fracassará
na liderança se o indivíduo não apresenta ditas qualidades.
Os estudos sobre adminitração descubriram que certos tipos de
personalidades introvertidas conseguiram grandes desempenhos versus
personalidades agressivas…Se é que possuiam tais características.
A Bíblia exalta a virtude. O mundo valoriza a personalidade.
COMO MEUS DISCÍPULOS PODERÃO RECONHECER MEU
CHAMAMENTO COMO MENTOR?
Certa vez quando ministrava um curso no Equador, um estudante
manifestava uma atitude muito hostil para comigo. Sempre fazia perguntas
agressivas, num tom muito desrespeitoso. Como professor, recebo bem as
perguntas. Mas era muito óbvio que a este estudante, engenheiro civil de
trinta anos, chamado José, que não gostava de mim, nem da matéria que eu
ensinava.
Um ano e meio mais tarde, minha esposa se encontrou com ele numa loja.
José comunicou-lhe que queria visitar-me, insistindo que era muito
importante que o fizesse.
Sentado no sofá de nossa sala, me disse:
- Lembra-se das suas aulas que eu assistia?
- Claro que sim-, lhe respondi.
- Dei muito trabalho a você. Estou aqui arrependido do pecado que cometi
contra você-.
Parecia que se punha execessivamente sério, para quem faria uma simples
desculpa. Mas ele continuou:
- Deixe que lhe conte o que aconteceu. Desde a última vez que lhe vi, perdi
meu emprego, minha casa e quase perco minha família. Fui falsamente
acusado de fraude e quase termino na prisão. Tudo foi esclarecido a meu
favor, mas ao perguntar a Deus por que permitiu que isto me acontecera,
Deus mostrou minha arrogância, orgulho, auto-suficiência e independência.
Lembrei-me da maneira que eu lhe tratava nessas aulas.
- José, lhe perdôo.
- Uma coisa mais, antes de terminar- me disse. –Deus me disse que eu
devo assentar a seus pés para aprender.
- Se seu Pastor está de acordo, eu o faria.
- Ele está- respondeu José- Eu já lhe perguntei.
Por lapso de um ano, fui o mentor de José na liderança cristã. José foi um
magnífico estudante e logo foi ordenado como presbítero de sua igreja.
Incidentes deste tipo são muito raros. Freqüetemente, o labor dum mentor
acontece de maneira mais normal. Mas é um exemplo dramático que
responde à pergunta: Como poderão os discípulos reconhecer que Deus nos
fez competentes como mentores?
_____________________________
Deus mesmo mandará a você
pessoas para que seja mentor deles
_______________________________________________________________
Resposta: Não se preocupe por isso. De uma ou de outra maneira, Deus
mesmo os fará saber.
Neste capítulo aprendemos:
1. Todos os chamados a um cargo de liderança bíblica, como o de pastor ou
presbítero, são também chamados a ser mentores.
2. Necessitamos da graça de Deus para fazer o trabalho dum mentor, tal
como a necessitamos em todas as outras áreas.
3. A pessoa que se sente competente para ser mentor, provavelmente não
deveria sê-lo.
4. Os tipos de personalidades não têm nada a ver com o êxito como mentor
ou com a direção ou a liderança em geral.
5. Nossos defeitos não são um obstáculo para este labor de mentores,
porque Deus os emprega como parte do processo.
6. Assumimos que possuimos a unção do Espírito Santo para ser mentores,
porque Deus sempre outorga unção juntamente com o chamado.
7. Deus se encarregará de fazer que os discípulos se submetam à liderança
do mentor.
Perguntas do Estudo do Capítulo Vinte
1. Como podemos saber se somos chamados a ser mentores de outros, na
sua preparação para líderes?
2. Quem nos dá a competência para ser um mentor?
3. Descreva o papel que nossos defeitos desempenham em nosso trabalho
de mentor.
4. Há uma conexão entre o tipo de personalidade e a efetividade dum líder?
Por que?
5. Descreva a ineficácia dos testes psicológicos como critério para
determinar a competência na liderança.
CAPÍTULO VINTE UM: O Pacto com o Mentor
UM CONVÊNIO
No capítulo anterior, mencionei José a quem Deus humilhou e o enviou a
mim para discipulá-lo. Com José, tive uma relação informal.
Em contraste com esta relação informal, um pastor equatoriano de outra
denominação pediu associação com nosso movimento devido a uma
mudança em sua teologia. O Presbitério me nomeou como mentor do
Ricardo em áreas de governo eclesiástico e de liderança. Isto foi uma
relação de estilo formal.
Este trabalho era de tipo formal, porque os acertos desta relação foram
iniciados pelo Presbitério e se registrou nas atas oficiais.
Uma terceira situação se deu quando um doutor em medicina desejava ser
ordenado em nossa denominação. Éramos amigos e havíamos trabalhado
juntos em diversos projetos. Em retrospectiva, o labor de mentor transcurria
de maneira natural neste caso.
Este terceiro exemplo foi informal, sem registros escritos, iniciado por Deus
mesmo.
Cada uma destas situações exigia uma diferente aproximação e tratamento.
O resultado seria o mesmo. Todos os três candidatos foram eventualmente
ordenados.
A relação do mentor pode ser formal ou informal, acordada ou assumida.
Pode ser iniciada por qualquer das partes. Como queira que suceda, um
convênio entre o mentor e seu discípulo é um acordo entre ambos, acerca
do processo de preparação.
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O pacto com o mentor
e seu discípulo é uma acordo
sobre o processo de preparação
____________________________________________________________
Todas as Relações Têm Suas Regras
Até as relações mais casuais entre vizinhos incluem certas regras tácitas
acerca da propriedade e da privacidade. Outras relações como o matrimônio
são sujeitas a regras mais explícitas e extensas.
O labor do mentor que prepara líderes também segue certas regras. Definílas
é de grande ajuda, já que a preparação de líderes envolve aspectos da
vida privada.
Se a relação é formal, as regras pode ser que seja por escrito. Se existiu
alguma relação anterior entre ambas partes envolvidas no processo, talvez
não seja necessário pô-las por escrito.
Em nosso sistema de preparação de Visión R.E.A.L., definimos claramente as
regras:
• O mentor e o discípulo devem se reunir pelo menos uma vez por mês
para discutir o processo de preparação… problemas e planos do ministério.
• Se designará um ministério ao futuro líder.
• O mentor avaliará seu discípulo cada três meses, em todas as áreas de
sua vida, usando o formulário de avaliação fornecido por Visión R.E.A.L.
Nisto se requer abertura e franqueza.
O acordo para realizar este trabalho contém, portanto, um compromisso
mútuo. Ambas partes acordam ser francas. O discípulo assente a ser
corregido e instruido em todas as áreas da sua vida, não somente em seu
desempenho no ministério. O mentor se compromete dar uma preparação
adequada cheia de amor e cuidado.
Compromisso de Mudança
Você conheceu alguma pessoa decidida a continuar sendo tal como agora é?
Todos temos certa resistência natural a mudança. No entanto, algumas
pessoas a proclamam abertamente.
O discípulo deve estar disposto a aceitar mudanças em todas as áreas da
sua vida, se deseja assumir a liderança.
DICA: Dentro duma igreja local, evite dizer aos candidatos que lhes prepara
para a liderança. É melhor indicar-lhes que estão sendo preparados para
servir melhor a Deus, de acordo com seus dons.
No Equador, levantou-se um sério problema, quando se convidou um
dinâmico homem de negócios a uma posição de liderança. Estávamos certos
de que suas habilidades no campo dos negócios transfeririam naturalmente
para o ambiente da igreja.
Mas houve que retirar sua candidatura devido a uma atitude arrogante e
nada aberta a aceitar correção alguma.
O aludido tomou isto como uma humilhação pública e tratou de vingar-se,
lançando calúnias acerca dos líderes da igreja, entre toda a congregação. O
verdadeiro motivo de querer chegar à liderança era sua própria glória, não a
glória de Cristo.
Se não se pode evitar que a pessoa saiba que é um candidato à liderança,
pelo menos se deve tratar de não anunciá-lo, em caso de que não funcione o
previsto.
A Quem Se Deve Selecionar Para o Processo?
Nossa equipe no Equador tinha como candidato ao pastorado, um jovem
com grande habilidade oratória. Um líder de campo bastante imaturo o havia
candidatado, sem consultar previamente a equipe. Como Davi, o candidato,
estava sem trabalho, o líder lhe havia oferecido uma beca, com fundos do
orçamento da equipe. Davi chegava quase sempre atrasado.
Davi era o tipo de pessoa persuasiva que podia vender areia no deserto. No
entanto, nunca completou uma só tarefa e seus pretextos eram muito
criativos.
Um dia, o pastor me rogou: -Irmão Roger, por favor retire a candidatura de
Davi. Ele não se aplica em nada e põe a culpa de suas próprias faltas na
liderança. Temos lutado com este homem mais de cinco anos e ainda não é
digno de confiança.
Um erro comum
Consiste nosso labor de mentores em transformar um homem infiel em fiel?
O Apóstolo Paulo, em I Timóteo, limita a candidatura só a homens fiéis.
Conversei sobre este assunto com um missionário de nossa equipe no
Equador. Ele desejava ordenar a quatro membros, sem terem passado pela
preparação estabelecida pela equipe de missionários.
-Roger- me disse, - o único que se requer na Biblia para a ordenação é uma
boa reputação.
- De onde obteve essa idéia, Sam?- lhe perguntei.
- Em I Timóteo 3, Paulo se refere que a fidelidade é o único requisito ou
condição para ser ordenado. Não necessitamos nada mais que isso.
- Sam, observe detidamente o texto novamente. Paulo disse Devem ser
provados, Paulo não disse que devem ser ordenados tão logo como mostram
sua fidelidade. O que disse é que “escolham homens de caráter fiel e os
preparem” As qualidades em I Timóteo 3 NÃO são qualificações para a
ordenação e sim para a candidatura.
Sam perguntou em tom sarcástico. –E agora, onde se encontram as
qualificações para presbíteros, se não são estas?-
-O resto das epístolas pastorais são as qualificações requeridas. Tais
epístolas nos indicam que os Presbíteros devem poder evangelizar, refutar
falsas doutrinas e realizar outras obrigações mais. As qualidades de caráter
dadas em I Timóteo 3 são a armação somente, sobre a qual se assentam
outros aspectos da liderança. Só o caráter não os qualifica.
Sam cedeu eventualmente neste ponto.
A fidelidade é o primordial. Não importa quantos dons tenha um discípulo, se
seu caráter é instável, não se lhe poderá ensinar. Não importa quão
talentoso seja, fica desqualificado como candidato.
O Princípio # 1 na seleção de candidatos…
Escolha um crente fiel.
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Escolha um crente fiel
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Abertura e Franqueza
Numa escola de preparação de missionários em Londres, onde eu exercia o
ministério, recebemos um novo missionário. Ele e sua esposa habitavam
num apartamento no segundo andar. Um dia, tinha que perguntar-lhe algo,
toquei a sua porta, apenas abriu um pouquinho, quase sem permitir ver os
seu solhos.
Durante toda a conversa, a porta não se abriu nem um só centímetro mais.
Decidi ignorar o incidente, penssando que talvez a esposa estivesse
vestindo-se ou descansando. Mas, isto se repitiu muitas vezes, e outros já
chegaram a notar também.
Esta atitude era um reflexo de sua personalidade. Sua vida privada era
vedada para todos. O ministério era para ele era um emprego só no horário
de trabalho. Quase não pode conseguir nada e deixou o ministério em pouco
tempo.
Ao contrário deste, certa vez visitamos uma família missionária que
ministrava a jovens na Argentina. A porta de sua habitação ficava
escancarada. Os jovens entravam e saíam. Um dos quartos de hospedes o
ocupava um jovem de outra cidade que havia chegado fazia três semanas.
Perguntei à esposa do missionário: - Como mantém a privacidade? – Rindose,
ela me respondeu: - Privacidade? O quê é isso?
Durante os quatro dias de nossa estada, um jovem proveniente dum
ambiente familiar insalubre comentou: - Antes de conhecer aos Smith, havia
decidido nunca casar-me. A família era como um pesadelo para mim. Mudei
de idéia. Agora sei como é uma verdadeira família.
O lar desta família missionária era um reflexo de seu grande coração.
Lembre-se: A liderança e a privacidade não admitem mescla.
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A liderança e a privacidade
não admitem mescla.
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Em algum ponto, você como mentor deve comunicar claramente que seu
trabalho de mentor envolverá todas as áreas da vida de seu candidato. Isto
inclui a família, as relações com seus colegas, sua vida devocional e sua
competência no ministério.
Algumas pessoas podem tomar isto como uma intrusão. Se você lhes mostra
interesse por seu bem-estar e respeito pessoal, não o verão dessa maneira.
O convênio entre o mentor e seu discípulo requer franqueza mútua.
Abertura Mútua
Não podemos esperar que outros abram seu coração e sua vida se nós não
fazemos o mesmo. Como nos dois casais dos exemplos acima, um teve bom
êxito e o outro não. O que os diferenciava era seu grau de abertura e
franqueza para com os demais.
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O convênio entre o mentor e seu discípulo
requer franqueza mútua
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DICA: Cuide-se do Sr. Incógnito
Conhece algum Senhor Incógnito? É o tipo de pessoa que só podemos
contactá-la se ela desejar. Esta pessoa acomoda sua vida de maneira que
ninguém a possa contactar, a menos que ela queira. Agente telefona para
sua casa e ninguém atende, então deixa-se uma mensagem. Nunca se sabe
onde ela está. Toda sua conduta diz: -Não me telefone, eu lhe telefonarei-.
Ela é quem decide se o contato se levará a cabo ou não. O Senhor Incógnito
é desqualificado para o ministério, especialmente de liderança. O motivo não
é somente este mal hábito ou temperamento. A razão é que ele, realmente,
não tem interesse nas pessoas.
Se um Sr. Incógnito se candidata, deve-se calcular bem se poderá ou não o
curar de sua síndrome. Se não, dê-lhe algum ministério como a qualquer
membro da igreja, mas não a ordenação.
Princípio # 2 para seleção de candidatos
Selecione candidatos pela sua abertura e franqueza
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Selecione candidatos pela sua abertura
e franqueza
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Auto-motivados
Que estavam fazendo os discípulos quando Jesus os encontrou pela primeira
vez? Sentados por aí esperando que alguém lhes dissesse o que fazer? NÃO.
Estavam trabalhando.
Alguns tinham seu negócio próprio; eram pescadores ou cobradores de
impostos. Jesus não foi buscá-los em algum mercado onde se reúne pessoas
procurando trabalho. Ele encontrou pessoas que hoje chamamos: proativas.
Isto significa que são auto-motivadas, pessoas com iniciativa, que não
necessitam de alguém que lhes dê partida nos motores para que produzam.
Antes de conhecer a Cristo, Simão o Zelote pertencia a um movimento antiromano
que ensinava que a violência era legítima. Zelote era o nome do
movimento. Era um homem com visão e zelo em busca de mudança política.
Enquanto Simão buscava a maneira de causar baixas aos romanos, Mateus
estava iniciando seu próprio negócio de arrecadar impostos. Pedro se
dedicava ao negócio da pesca.
Cristo não fez nada para apagar a visão e zelo de Simão. Simplesmente os
redirecionou para Deus. Muito menos fez algo para proibir Mateus na sua
arrecadação. Somente lhe ensinou a arrecadar algo diferente de impostos…
almas. Tampouco pôs obstáculos para que Pedro seguisse com seus
trabalhos de pesca. Só que lhe ensinou a pescar bípedes...os homens.
Estes eram homens em ação. Por Cristo, cada um deles chegou a
desenvolver visão para a glória de Deus e o avanço do seu reino.
Iniciativa! Vigor! Repartir uma visão com pessoas proativas não se qualifica
como algo difícil.
Qual é o ponto da questão? É muito estranho que uma pessoa com visão
veja passar a vida sem objetivos. O que distingue um obreiro cristão
ordinário de um líder genuino é sua visão… seu desejo ardente de conseguir
algo significativo para Deus. Geralmente, uma visão nasce no coração de
pessoas auto-motivadas.
Princípio # 3 Na seleção de candidatos
Escolha pessoas auto-motivadas
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Escolha pessoas
auto-motivadas
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Os dons são essenciais
A Bíblia se refere muito aos dons para o ministério. É importante a
experiência, mas os dons são indispensáveis.
Deus chamou Jeremias e lhe deu o dom de profecia. Quando ainda não tinha
experiência, Deus lhe ordenou enfrentar aos anciãos de Israel. Era costume
judeu dar prioridade aos de idade mais avançada, quando se tratava de
dirigir um grupo. No entanto, o Senhor lhe ordenou ignorar sua própria
aparência juvenil (Jer. 1:5-9).
Igualmente, Paulo disse a Timóteo que não deixasse que outros
desprezassem a sua mocidade (I Tim. 4:12). Não sabemos qual era a
diferença de idades entre Timóteo e seus discípulos. Quiçá alguns tinham
mais idade que ele.
Suponha que deva selecionar um professor para adultos da escola
dominical; há dois candidatos: um tem experiência mas não um claro dom
de ensino; o outro é dotado com um dom de ensino ainda que nunca deu
uma aula para adultos na escola dominical. A qual escolheria?
Selecione o que tem o dom. Ainda que no início cometerá erros, aprenderá
rápido e logo ultrapassará o outro. É como dois corredores, um que tem
vantagem ao iniciar, porém depois de um tempo torna-se mais lento.
Tornando-se o outro mais veloz, ganhará.
Só na base da experiência, raramente se supera a mediocridade. Para
alcançar a excelência no seu ministério como mentor deve primeiro
selecionar candidatos na base de talentos e dons. A combinação de talento e
experiência é a mescla explosiva que fará crescer seu movimento. Se deixa
de lado este princípio, estará condenando seu movimento à mediocridade.
Princípio # 4 para selecionar candidatos
Escolha os que têm dons. A experiência é secundária.
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Escolha os que têm dons.
A experiência é secundária.
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TRAVAS PERIGOSAS NO LABOR DOS MENTORES
Cuidado com a clonagem
Confesso um defeito pessoal. Sinto um grande desejo de que meus alunos
sejam teólogos e escritores. Mas, alegro-me que não seja assim. O mundo
se tornaria tedioso.
É uma tendência muito comum dos mentores, o querer ver que seus
discípulos se tornem como eles. Sua obrigação como mentor é conseguir que
seu discípulo chegue a ser mais do que ele é, não mais do que você é. Seu
trabalho como mentor consiste em descrever seu dom e ajudar-lhe a
desenvolvê-lo, sem importar se você tem ou não o mesmo dom.
Evite as regras
Quando designar o ministério que haverá de fazer seu discípulo, evite darlhe
uma lista longa de regras, pois estaria faltando-lhe a prática em tomar
decisões e de ser criativo no processo de preparação. Deixe que realize o
trabalho a sua própria maneira, dentro dos parámetros gerais assinalados
por você.
Não dê restos
Não permita que ninguém entregue a seu candidato migalhas de ministérios
fracassados que outros não desejam fazer. Ao designar-lhe um ministério,
assegure-se de que seja valioso e satisfatório.
Abrangência desnecessária
Uma falácia na preparação de líderes, é dar enfoque nas suas áreas fracas
para que sejam competentes em tudo. Os únicos ministros absolutamente
competentes foram os apóstolos; e eles já morreram. Enfoque-se nas
fortalezas de seus candidatos para especializar-se nelas.
Neste capítulo aprendemos:
1. O convênio dos mentores é um acordo entre o mentor e um candidato,
em tudo que tem a ver com procedimentos no processo de preparação.
2. Este convênio requer abertura mútua.
3. Ao selecionar candidatos para a liderança, devemos selecioná-los por:
a. Sua fidelidade
b. Sua abertura e franqueza
c. Sua iniciativa
d. Seus dons
4. Devemos cuidar-nos das seguintes travas perigosas no labor de
mentores:
a. Tratar de que o candidato seja uma cópia do mentor.
b. Supervisar muito de perto.
c. Designar o candidato para outros ministérios fracassados.
d. Enfocar nas fraquezas e não nas fortalezas.
Perguntas do Estudo do Capítulo Vinte e um
1. Descreva o significado de "franqueza mútua"
2. Descreva os 4 fatores a considerar na seleção de candidatos
a.
b.
c.
d.
3. Explique por que a experiência é secundária com respeito aos dons, na
seleção de candidatos.
4. Descreva duas ou mais travas perigosas no trabalho de um mentor e
alguma outra que você tenha observado ou experimentado, que não tenha
sido mencionada neste capítulo.

fonte: http://www.monergismo.com/textos/livros/lideranca-crista_smalling.pdf